O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de São Paulo identificou que, após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, ou seja, em menos de um ano, foram movimentados R$ 4 bilhões em esquema de fintechs para lavar dinheiro em postos de combustíveis usados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital).
A primeira fase da operação ocorreu em agosto do ano passado. Na época, cerca de mil postos de combustíveis vinculados ao PCC foram apontados por movimentarem R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Inclusive, em Mato Grosso do Sul, os alvos estavam nas cidades de Dourados e Iguatemi.
Já nesta quinta-feira (28), decorrente da Operação Carbono Oculto, foi deflagrada a Operação Fluxo Oculto. A operação aprofunda o enfrentamento a esquemas de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis vinculados à facção criminosa.
Durante uma coletiva de imprensa, o promotor do Gaeco, do MPSP (Ministério Público de São Paulo), esclareceu que eles conseguiram identificar uma movimentação estimada em R$ 4 bilhões que saiu das fintechs que eram alvos da primeira fase da operação para a segunda.
“Essas instituições financeiras se reestruturaram após a Carbono Oculto. Identificamos a movimentação de R$ 4 bilhões que saíram das fintechs alvos da primeira fase da operação para aquelas investigadas na segunda fase”, narrou João Paulo Gabriel.
Segundo João, a morfologia das fintechs possui camadas que favorecem a blindagem patrimonial, citando como exemplos dessa estrutura as contas-bolsão. Que geralmente são caracterizadas pela intensa movimentação financeira, com recebimento de valores de múltiplas origens e posterior redistribuição para diversas contas, funcionando como ponto de concentração e dispersão de recursos.
Em MS
Empresa localizada em Iguatemi — no extremo sul de Mato Grosso do Sul — é alvo de nova fase da Operação Carbono Oculo, denominada Fluxo Oculto, onde os agentes cumprem um mandado de busca e apreensão.
A Receita Federal e o Gaeco de São Paulo conduzem investigação que mira fintechs usadas como bancos paralelos pelo PCC, mas que contavam com participação de empresas de fachada, usinas, distribuidoras e postos de combustíveis.
Além de lavar dinheiro do crime, o grupo sonegava impostos e lucrava com venda de combustíveis adulterados.
Conforme as informações iniciais divulgadas pela Receita Federal, a organização criminosa se utilizava de ‘testas de ferro’ em empresas de fachada para simular compra de grandes volumes de nafta petroquímica, por exemplo, sob pretexto de destinação química/industrial.
Organograma divulgado pelas autoridades mostra que, na verdade, o produto era desviado de finalidade e utilizado para adulteração de combustíveis. Com isso, o grupo conseguia lucrar com sonegação de impostos, num montante aproximado de R$ 200 milhões em dois anos.
Toda a movimentação continha dinheiro ilícito injetado pelo PCC, que era lavado em postos de combustíveis, por exemplo.
O mandado cumprido em empresa sediada em Iguatemi visa à verificação da regularidade fiscal dos beneficiários das operações financeiras.
*Midiamax